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Liderança com propósito: porque é importante



Cenário 1: você começa o dia tranquilo(a), sabendo que está fazendo o seu melhor, com seus conhecimentos e ferramentas – e que, de alguma maneira, o que faz impacta de maneira positiva em outras pessoas, conhecidas ou não. E volta pra casa com a sensação de plenitude, por ter cumprido não só (mais) um dia de trabalho, mas também por saber que está fazendo alguma diferença nesse mundo – pra melhor, claro. Não é só pelo dinheiro, ‘posição’ ou visibilidade, sente que tem algo mais no trabalho que realiza. Talvez se não precisasse pagar as contas, faria o que faz do mesmo jeito, pro bono.


Cenário 2: você começa o dia não querendo sair da cama para ir aonde “tem de ir”, para fazer “o que tem de fazer”. Vai mesmo assim porque a remuneração é boa, seu nome está em jogo, acabou de começar ou logo vai se aposentar – ou porque a vida é assim mesmo, “nem sempre se faz o que se gosta e tudo bem”. Em vários momentos se pergunta: “o que estou fazendo aquí?” Ou: “para que tudo isso…?” A satisfação de receber a remuneração, de ser reconhecido(a) interna ou publicamente, de ‘colher os louros’ não é suficiente. Volta para casa com a sensação de incompletude, por vezes refletindo sobre a real utilidade de seu trabalho/projeto/empreendimento. Falta algo. Talvez se não precisasse pagar as contas, não faria o que faz.


Qual desses cenários você prefere? Se deu de ombros e murmurou um ‘tanto faz, desde que me paguem’, talvez esteja há muito tempo com o piloto automático acionado – ou sentindo-se tão pressionado(a) pelas contas que não param de aumentar (ou outro motivo mais pessoal/familiar), que nem percebe que dá para ser mais feliz e realizado(a) mesmo ‘trabalhando muito’. Que dá para ser mais leve e prazeroso – sem o ‘peso’ que nos ensinaram a ter/sentir em relação ao ‘trabalho’.


Sim, porque a visão de que o trabalho é algo duro, quase um castigo que precisamos enfrentar para sobreviver foi algo ensinado desde os tempos antigos. A começar pela origem da palavra ‘trabalho’, que deriva do latim tripalium – um dos significados era um instrumento utilizado pelos romanos para torturar condenados ou pessoas pobres que não conseguiam pagar os impostos. Que herança a nossa, hein?


Então, é preciso ressignificar não só a palavra, como algo que causa sofrimento, mas também o ato de se trabalhar (tradicionamente) obrigatoriamente 5x por semana, 8h por dia. Sabemos que isso vem mudando de forma mais explícita desde o início da pandemia – e é bom aproveitarmos pra rever nossa relação com tudo isso também: horários, local de trabalho, como ficam as interações, hierarquias, andamento do(s) projeto(s), ‘controle da situação’ – ops!


É preciso ressignificar o exercício da liderança também.


E o seu astral/mood reflete na sua liderança, na equipe, no seu desempenho profissional, nas suas relações – e, mais que isso, na sua saúde.


Claro, o estado de desânimo pode acontecer a qualquer um(a) de nós, a qualquer momento. Temos dias bons, outros nem tanto, dias cheios de imprevistos e dias incríveis. Há pessoas que parecem nos facilitar tudo na vida e outras que parecem pedras em nossos sapatos – e o modo como lidamos com essas personagens faz muita diferença – em tudo. Se sentimos que estamos no caminho certo, sendo a melhor versão de nós mesmo(a)s, sendo justo(a)s, honesto(a)s, comprometido(a)s, cuidadoso(a)s e inspiradore(a)s, os revezes (ou pessoas antagonistas) viram desafios a serem vencidos individualmente ou em equipe – sem o peso do castigo e/ou culpa que aprendemos desde cedo.


Voltando aos cenários apresentados, o que difere uma situação da outra? O significado do trabalho em sua vida – que muito provavelmente influencia no seu jeito de liderar um time, projeto ou empreendimento. Pode parecer clichê quando alguém diz “se você ama o que faz, não é trabalho”, mas tudo pode ser mais simples mesmo – sendo clichê ou não, o que importa? Quando estamos felizes, a vida é muito mais leve e colorida – lembra de quando se apaixonou pela primeira vez (e foi correspondido/a), quando recebeu o seu ‘primeiro pagamento’ fruto do seu próprio talento, quando fez aquela viagem dos sonhos? Sim, essas ‘borboletas na barriga’ ainda são possíveis na vida adulta e profissional.


Falar em ‘propósito’ também já virou clichê e até falácia pra se vender cursos e “fórmulas mágicas de sucesso” – lá no fundo você sente quando é uma arapuca armada, não? Lembra que falamos de usar (mais) a intuição, observar o que o feeling nos diz? Que o que sentimos no coração e na pele são tão importantes quanto as sinapses que produzimos em nosso cérebro racional? Pois o tal ‘propósito’ – que podemos associar ao ‘significado’ – do trabalho/projeto/empreendimento em sua vida também passa por aí: pelo sentir. Às vezes o mundo inteiro sugere para você ir por um caminho, mas seu coração (e/ou sua alma, dependendo da sua crença) diz que não é por ali.


E é por onde, então? Vamos lá, um check-list inicial: você sente que está (sinceramente) realizando o melhor de si? E que o que faz é bom para o mundo? Que ‘nasceu pra isso’? Que é uma pessoa melhor a cada dia? Um(a) líder que inspira outras pessoas a serem melhores também? Que poderia fazer o que faz a vida inteira, mesmo se não recebesse (e não precisasse de) uma remuneração financeira por isso? Se titubeou ou respondeu um enfático não a mais de uma pergunta, talvez seja um bom momento para fazer uma pausa e refletir.


Sente-se em um lugar tranquilo, faça seu chá (café ou cappuccino preferido) e lembre-se de tudo de bom que você tem a oferecer ao mundo – e que, claro, faz você vibrar como uma criança que vai ao parque de diversões pela primeira vez. Acredite, a lista é bem maior do que imagina – ou do que o(a) fizeram acreditar…!

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