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O Poder da Vulnerabilidade e a Liderança

Tudo bem dizer “eu não sei”. Não ter a ‘resposta certa’ na ponta da língua – assim, de ‘bate-pronto’, com a segurança de quem nasceu para salvar o mundo. Tudo bem, também, precisar de um tempo depois de perder uma batalha ou atravessar uma situação muito desafiadora – daquelas que praticamente consomem toda nossa energia.

Todo(a) líder, por maior que seja a envergadura da atuação e a capacidade de lidar com diferentes imprevistos e desafios, também dorme e acorda todos os dias (uns dias melhor, outros nem tanto), alimenta-se (ou deveria), vai ao banheiro, toma banho, escova os dentes – coisas simples do cotidiano. Porque todo(a) líder é, antes de tudo, uma pessoa como outra qualquer.



Às vezes queremos ser infalíveis, em um flerte platônico com o super-heroísmo, mas precisamos lembrar que somos seres humanos e que, sim, de vez em quando falhamos. Se bem que em todo filme de super-herói/heroína tem aquele momento em que ele(a) falha, não é? Cai, se machuca, apanha, leva uma rasteira. Aí ele(a) se recolhe por um tempo, se cuida (ou se deixa cuidar por alguém) e, tcharam…volta com tudo depois!

Ninguém é perfeito(a) e está tudo bem. Precisamos exercitar esse ‘tempo de recuperação’ conosco e com quem está ao nosso lado, ao nosso redor, na parceria. Para além de um ego ferido, lembrar que liderança tem mais a ver com coragem – de arriscar, de ousar, de levantar depois de cair – do que com promessa de infalibilidade, pode nos ajudar nessas travessias.


Claro que uma atitude ou palavra de força-entusiasmo nos impulsiona para cima, para frente – e a liderança que sabe fazer isso nos momentos certos ganha a confiança de sua equipe. Mas saber aceitar, acalmar e acolher também são habilidades de muito valor. Há situações em que o silêncio fala mais alto que o grito. E que um abraço ou um olhar de empatia e firmeza – “estou aqui com/para você” – promove aquele ‘efeito placebo’, como o beijinho da mamãe que cura o joelho ralado da criança.


Ao tirar a armadura e mostrar-se vulnerável, o(a) líder se apresenta como uma pessoa ‘de verdade’, de carne e osso, que está presente na equipe e não tem receio de demonstrar o que sente. E, nas entrelinhas, ganha simpatia e solidariedade. Pode ser que alguém não entenda e confunda vulnerabilidade com fraqueza – e, com isso, questione o respeito àquela liderança: eis uma boa oportunidade para todo(a)s revisitarem (e ressignificarem) esse estereótipo sob outro ponto de vista. Vulnerabilidade tem mais a ver com coragem do que com medo. O medo de errar, de tentar, de experimentar o novo é que nos enfraquece porque nos paralisa. Uma estrutura que balança em cima de seus amortecedores tem mais resistência (e jogo de cintura) diante de um terremoto do que a outra fixa com sua fundação rigidamente inflexível.


Ouvir as outras pessoas, reservar um tempo para pensar, observar o invisível e rever a estratégia no meio do caminho também são habilidades importantes de uma boa liderança. Nada é para sempre, imutável. E ninguém é dono(a) da razão o tempo todo. Pode ser que aquela pessoa ‘mais simples’, ou a mais nova, sem tanto estudo e experiência quanto você, seja a portadora da solução mais sábia e prática para o grande desafio do momento. Então menos julgamento pelas aparências e mais escuta atenta aos personagens que se apresentam no seu caminho. Às vezes, quando paramos de procurar insistentemente pela resposta imediata, ela vem até nós nas situações mais inusitadas ou cotidianas – como no meio de um banho.


Incentivar o(a)s integrantes do seu time a mostrarem suas vulnerabilidades pode ajudar a derrubar algumas barreiras e estreitar os laços – mesmo entre pessoas que não simpatizam umas com as outras. Quando eu assumo que tenho dificuldade ou medo de algo, alguém que sente o mesmo pode se aproximar de mim – e, junta(o)s, podemos compartilhar estratégias já experimentadas para superar aquele sentimento – ou, ao menos, podemos nos ouvir, desabafar e acolher, sem receio do julgamento alheio de nossas capacidades técnicas ou aspectos socioemocionais (que estamos tendo a coragem de assumir e enfrentar).


Além disso, questões de vulnerabilidade compartilhadas em grande escala ou frequência podem abrir espaço para dinâmicas de gestão de pessoas e/ou treinamentos específicos de integração e liderança.


Na dúvida, lembre-se que se mostrar humano(a) é um grande poder – movimenta multidões. E o poder não pode tirar sua capacidade de sentir e se emocionar. Esse é um direito nato e intransferível.

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