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Qual o papel da escuta na empatia?



Como ser um(a) bom(a) marinheiro(a), se não souber ver o mar, sentir o vento, ler as ondas e o movimento das marés? É nas águas mais revoltas que todo o conhecimento da tripulação é utilizado.


Como navegar no oceano das relações sem ver – e escutar – o(a) outro(a), sentir o que ressoa dentro (e fora) de si, ler os sinais e o que transborda das ondulações emocionais? É nas situações mais adversas que a empatia é mais desafiadora e necessária.


Escutar para compreender e ser compreendido(a). Pra conseguir conversar melhor, com calma, trocando a pré-disposição de julgar pela observação atenta do relato, dos pensamentos compartilhados e até dos sentimentos manifestados – sim, existem sentimentos na vida corporativa (ainda que não sejam livremente exercitados e acolhidos em todos os lugares). Um diálogo verdadeiro é uma via de duas mãos, com tempo de fala e de escuta para cada um(a) – não dois monólogos disputando quem fala melhor ou mais alto.


É pela escuta ativa que temos a oportunidade de conhecer (mais) a (história da) pessoa que está se abrindo. E é a nossa disposição em escutar que estabelece o estado de presença na comunicação. Com portas e janelas abertas, a empatia tem campo fértil para florescer.


Empatia tem a ver com disposição em acolher o(a) outro(a), em seus sentimentos e necessidades – importante identificá-las – ainda que não concordemos com a pessoa e/ou o que está sendo dito. Aqui não cabe o julgamento do certo e errado – e as opiniões são meras opiniões. Ouvir sem julgar (e condenar, se discordar) pode ser difícil, mas pode ser bom exercitar – com pessoas diferentes, em momentos distintos. Empatia é uma prática constante e algumas pessoas têm mais facilidade que as outras – e tudo bem – de novo, sem certo ou errado.


Demonstrar empatia não significa necessariamente ser bonzinho ou boazinha. Colocar-se no lugar do(a) outro(a) não significa passar a mão na cabeça. Empatia não é subserviência nem caridade. É preciso coragem para se abrir emocionalmente de verdade – ainda mais no ambiente profissional. Assim como requer sensibilidade, boa vontade e maturidade abrir espaço para ouvir e receber outra pessoa – ainda mais se é alguém com quem não temos intimidade. Desabafar é para todos. Ouvir deveria ser também.


Às vezes é preciso esvaziar o pote antes de enchê-lo novamente.

Mas…e se seu pote estiver cheio demais? Como escutar o(a) outro(a), se você mesmo(a) não se sente ouvido(a)? Como ter empatia por alguém que não demonstra o mesmo por você? De novo, é uma prática que requer coragem e disposição de ambos os lados – de (perder o medo de) se vulnerabilizar, de se dispor a derrubar muralhas relacionais, de desfazer padrões de comportamento arraigados. “Ele(a) não me ouve, então não vou ouvi-lo(a) também” não cabe aqui – é preciso ir além do condicionamento alheio.


Escutar ou não, eis a questão. É uma escolha que requer prática e dedicação, assim como o exercício da empatia. Não nascemos sabendo e nem todo mundo tem essa habilidade. Algumas pessoas tiveram exemplos dentro de casa, desde a infância. Outras, não. Mas é possível aprender, aflorar, desenvolver, expandir. É um caminho traçado com uma escolha atrás da outra – e cada uma pode resultar em uma direção diferente.


Um(a) líder que se dispõe a praticar a escuta ativa, atenta, aberta – não só com sua equipe, mas em todas as suas relações – tem muito mais possibilidades de ser bem-sucedido(a) em seus empreendimentos, sem sacrificar quem está ao seu lado. É importante falar sobre isso, porque aqui não nos referimos ao sucesso estritamente financeiro/comercial e, sim, à integralidade da vida de cada um(a).

Claro que é preciso ir além da escuta, considerar na prática o que foi compartilhado – sabendo que nem tudo é nossa responsabilidade, mas pode ser olhado com cuidado.


Escutar alguém não tira pedaço. Nem é preciso vestir o chapéu que se apresenta. Assim como demonstrar empatia não significa que está colocando a mochila do(a) outro(a) em suas costas. São apenas espaços de segurança e liberdade que podem ser criados em uma relação, pra que um(a) conheça melhor o(a) outro(a), identifiquem espelhos (já falamos sobre isso, lembra?), compartilhem responsabilidades e infinitas possibilidades para seguir adiante – junto(a)s ou não, mas conscientes de onde estão.


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